SÃO PAULO - A direção da Klabin atribuiu hoje o tombo de 76% no lucro do primeiro semestre deste ano ao impacto da desvalorização do real nos resultados da companhia no campo financeiro.
A empresa, por outro lado, está confiante em uma melhora das margens operacionais na segunda metade do ano, como reflexo de uma tendência de preços médios mais robustos no período.
"Na parte operacional, tivemos alta, mas o câmbio afetou o resultado final", afirmou o diretor-geral da fabricante de papéis para embalagem, Reinoldo Poernbacher, durante teleconferência com a imprensa sobre as demonstrações financeiras do primeiro semestre, quando o lucro da companhia somou R$ 80,176 milhões, bem abaixo dos R$ 335,253 milhões dos seis primeiros meses de 2009.
O resultado, segundo os diretores da empresa, foi influenciado por perdas de R$ 69,599 milhões decorrentes de variações cambiais na conta financeira. No mesmo semestre do ano passado, a companhia viveu uma situação inversa, ganhando R$ 411,221 milhões com o fortalecimento da moeda brasileira ante o dólar.
Poernbacher destacou, no entanto, que a Klabin conseguiu superar no primeiro semestre os números operacionais registrados antes da crise financeira. A receita líquida no período (R$ 1,749 bilhão) superou em 25% a cifra do primeiro semestre de 2009 (R$ 1,404 bilhão). Também ficou acima da marca de R$ 1,521 bilhão apurada na primeira metade de 2008, quando o setor ainda não atravessava a fase mais crítica da crise financeira.
Entre janeiro e junho, o resultado operacional medido pelo Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou positivo em R$ 478,269 milhões, 45% acima de igual período do ano passado. Na mesma base de comparação, a margem Ebitda subiu de 23% para 27%.
De acordo com o diretor financeiro e de relações com investidores da Klabin, Sergio Alfano, a empresa deverá trabalhar com margens mais folgadas até dezembro, dado que os preços mostram tendência de alta. "Os preços no terceiro e no quarto trimestre serão bem melhores", afirmou o executivo, acrescentando que a cotação do kraftliner - usado na produção de embalagens - já subiu aproximadamente US$ 300 no mercado internacional em um ano.
Durante o evento, Poernbacher informou que a companhia ainda não definiu a cidade do Paraná onde o grupo planeja instalar uma usina de celulose com capacidade de produção entre 1,3 milhão e 1,5 milhão de toneladas. A companhia já está desenvolvendo no Estado as áreas florestais que vão abastecer a unidade. |